Alexander Louzada

CAD-RUA

Um prontuário comum para a população em situação de rua, usado pela abordagem social, pelos abrigos e pela coordenação do município

Papel
Coordenador e arquiteto do projeto
Período
Desde abril de 2026
Fomento
FAPERJ, Edital 34/2025, Programa Prioridade Rio
Coautores
Evolução Clínica e Consultoria e IPPPS
Situação
As três ferramentas funcionam e foram demonstradas com dados fictícios
Ilustração: praça tranquila à noite, iluminada por postes
Cena ilustrativa. Uma praça à noite.

O CAD-RUA põe a equipe de abordagem social, as unidades de acolhimento e a coordenação do município sobre o mesmo prontuário. O que o agente anota na calçada chega à recepção do abrigo antes da pessoa. O projeto foi aprovado e financiado pela FAPERJ no Edital 34/2025, do Programa Prioridade Rio. Fui o coordenador e arquiteto do projeto.

O que é o CAD-RUA

O CAD-RUA é um prontuário digital e um sistema de gestão de vagas de acolhimento para a população em situação de rua. Tem três ferramentas. As equipes de abordagem usam o Aplicativo de Campo no celular. Abrigos, comunidades terapêuticas e hotéis sociais usam a Gestão de Vagas no navegador. A coordenação do município usa o Painel Administrativo, também no navegador.

Postos de saúde, CRAS e CAPS não entram no sistema. Eles aparecem no mapa do aplicativo, para que o agente saiba onde fica cada serviço antes de encaminhar a pessoa.

O problema

A equipe de rua anotava em fichas de papel. O abrigo tinha a própria planilha, e a saúde tinha o seu sistema, de modo que ninguém via a história inteira da pessoa.

A vaga era procurada por telefone. O agente ligava de abrigo em abrigo, muitas vezes de madrugada, enquanto a pessoa esperava na calçada. E quem conseguia a vaga precisava contar tudo de novo na recepção, porque o que foi anotado na rua ficava com a equipe de rua.

Meu papel

O CAD-RUA foi desenvolvido em conjunto com o IPPPS e a Evolução Clínica e Consultoria, e selecionado pela FAPERJ para ser desenvolvido no Edital 34/2025, do Programa Prioridade Rio. Sou o coordenador e arquiteto do projeto desde abril de 2026.

Como arquiteto, defini que as três ferramentas trabalhariam sobre a mesma base e que cada perfil veria só o que a sua função pede. O cronograma teve seis fases: fundação, aplicativo de campo, gestão de vagas, painel, integração e testes, e a entrega com o relatório técnico final exigido pelo edital.

Três ferramentas sobre o mesmo prontuário

Aplicativo de Campo

Equipe de rua, no celular

  • A tela inicial mostra a abordagem marcada para o dia e quatro atalhos: Emergência, Nova Triagem, Buscar Prontuário e Minhas Solicitações.
  • A triagem tem quatro passos (identificação, situação, avaliação e resumo) e só começa com a concordância da pessoa. Ao salvar, ela abre o prontuário.
  • A busca no prontuário aceita o nome social ou o apelido, além do nome civil. A ficha mostra o último local de contato e as necessidades da pessoa. Também lista as estadias em unidades de acolhimento e o histórico de atendimentos.
  • O pedido de vaga lista só as unidades com leito livre, com o número de vagas de cada uma, e tem quatro níveis de prioridade. Quando a unidade aprova, o agente recebe o aviso com o caminho até lá e um atalho para ligar.
  • O mapa da rede mostra serviços de assistência social, saúde, alimentação e apoio jurídico, com filtro por tipo.
  • Cada agente tem o próprio acesso, criado pela administração do município. O aplicativo precisa de internet.
Busca no prontuário. O nome social aparece antes do nome civil.

Gestão de Vagas

Unidades de acolhimento, no navegador

  • Cada leito aparece como livre, ocupado, reservado ou em manutenção. A própria unidade mantém o quadro em dia, e só os leitos livres aparecem para o agente.
  • Cada unidade vê só os pedidos enviados a ela, os mais urgentes no topo, e a fila se atualiza sozinha. Aprovar reserva um leito. Recusar exige um motivo, que volta ao agente.
  • A recepção abre com o leito reservado e com a triagem feita na rua. A unidade completa os dados de saúde e de contato, registra o aceite das normas de convivência e faz o check-in.
  • Na saída, a unidade registra o motivo e gera o sumário de alta, uma folha com a passagem da pessoa pela unidade.
Quadro de leitos do abrigo, com leitos livres, ocupados e reservados.
O check-out pede o motivo da saída.
Sumário de alta com unidade, datas, permanência e desfecho.

Painel Administrativo

Coordenação, no navegador

  • As ações de rua passam por cinco situações, do rascunho à conclusão. A coordenação convida a equipe, inclusive quem não usa o sistema, monta o checklist e tem a lista de presença.
  • O prontuário mostra a jornada da pessoa atendida em ordem: triagens, entradas e saídas de acolhimento e registros da equipe. Cada registro tem autor e hora.
  • O agente pode sinalizar que o risco de uma pessoa mudou, e a coordenação confirma. Toda mudança de risco pede o motivo, que fica registrado.
  • Os relatórios mostram a ocupação por unidade e a distribuição das pessoas por nível de vulnerabilidade.
  • A administração do município cadastra a equipe e atribui os perfis. A trilha de auditoria registra quem consultou ou alterou um prontuário, e quando.
O prontuário mostra cada entrada e saída de acolhimento em ordem.
Ocupação por unidade e pessoas por nível de vulnerabilidade.
Modelos de relatório para cada ação de rua.

Telas com dados de demonstração, em que toda pessoa e toda unidade são fictícias.

A jornada da pessoa atendida, etapa por etapa

A demonstração do CAD-RUA acompanha uma noite do Cadu, personagem fictício que dorme numa praça. Três profissionais agem no caso dele: a coordenadora, o agente de rua e a equipe do abrigo. Nomes e números são dados de demonstração.

  1. A coordenadora agenda a ação

    Painel Administrativo

    Ela cria uma abordagem noturna com motivo, local e horário, marca o ponto no mapa, monta o checklist (agasalhos e kits de higiene, vagas confirmadas com os abrigos, viatura com motorista) e publica. Ao publicar, o convite segue para a equipe.

    A coordenadora cria uma abordagem noturna com data, hora e local.
    Cena ilustrativa. A coordenadora no computador.
  2. O agente confirma

    Aplicativo de Campo

    O convite chega com a data e o local. O agente confirma com um toque, e a coordenação vê quem confirmou sem telefonar.

    Tela inicial do Aplicativo de Campo com a ação do dia e quatro atalhos.
    O convite, com Confirmar e Recusar.
    Participação confirmada, pronta para o check-in.
    Cena ilustrativa. O agente lê o convite ao lado da van.
  3. Check-in na praça

    Aplicativo de Campo

    Na praça, o check-in registra a posição do agente. A partir daí, cada atendimento fica ligado àquela ação.

    Check-in registrado com a posição do agente.
    Situação Em campo, com o botão para iniciar a triagem.
  4. Triagem na rua

    Aplicativo de Campo

    Com a concordância do Cadu, o agente faz os quatro passos. O apelido vem antes do nome civil, e os documentos são opcionais. A avaliação marca vulnerabilidade alta, frio extremo e necessidade de abrigo e alimentação. Ao salvar, o sistema cria o prontuário, que a coordenação já consegue ver.

    Passo 1 da triagem. O apelido vem antes do nome civil.
    Passo 4 da triagem, o resumo antes de salvar.
  5. Pedido de vaga

    Aplicativo de Campo

    O aplicativo pergunta se o agente quer pedir vaga. Os dados do Cadu já estão preenchidos. O agente marca prioridade alta, vê quais unidades têm leito livre naquele instante, escolhe uma, escreve o motivo do encaminhamento e envia.

    Pedido de vaga com prioridade alta, com só as unidades que têm leito livre.
    Solicitação enviada.
  6. O abrigo decide

    Gestão de Vagas

    O pedido entra na fila do abrigo sem ninguém recarregar a página. A equipe lê o motivo, confere a prioridade e aprova. O leito fica reservado e sai da lista de livres.

    Quadro de leitos do abrigo filtrado nos leitos livres.
    O abrigo aprova a solicitação do Cadu.
    Cena ilustrativa. A recepção do abrigo à noite.
  7. A caminho da unidade

    Aplicativo de Campo

    O celular do agente mostra a aprovação, e um toque abre o caminho até o abrigo. Se o abrigo tivesse recusado, o motivo chegaria do mesmo jeito e o agente pediria outra unidade sem perder o que já registrou.

    O agente recebe a aprovação.
    Pedido aprovado com o caminho até o abrigo e o atalho para ligar.
    Se o abrigo recusar, precisa escolher um motivo.
  8. Recepção e check-in

    Gestão de Vagas

    A recepção abre com o leito reservado e com o que a rua registrou: local, vulnerabilidade, necessidades, observações. A equipe completa saúde e contato, registra o aceite das normas de convivência e confirma. O leito passa a ocupado, o pedido fecha como Acolhido e o agente recebe a confirmação.

    Cena ilustrativa. A chegada ao abrigo.
    A recepção abre com o leito reservado e a triagem da rua.
    Aceite das normas de convivência, obrigatório no check-in.
    No aplicativo, o pedido aparece como Acolhido.
  9. Relatório e conclusão

    Painel Administrativo

    A coordenadora vê o Cadu na lista de abordados, já acolhido. Escreve o relatório técnico e o finaliza, e o texto trava com data e hora. Só então a ação pode ser concluída.

    O relatório técnico preenchido.
    O relatório finalizado, agora só leitura.

A manhã seguinte

O prontuário do Cadu guarda a triagem, o pedido de vaga e a entrada no abrigo. Cada registro tem autor e hora. A próxima equipe que encontrar o Cadu começa dali.

Cena ilustrativa. Café da manhã no abrigo.
Cena ilustrativa. A coordenadora na manhã seguinte.

Telas com dados de demonstração, em que toda pessoa e toda unidade são fictícias. As cenas marcadas como ilustrativas são ilustrações, não fotografias.

Perfis

A administração do município cadastra cada pessoa e atribui um de cinco perfis. Cada perfil vê o que a sua função pede.

  • Agente de rua: os próprios atendimentos e a sua equipe.
  • Gestor de abrigo: a própria unidade, os pedidos enviados a ela e as pessoas acolhidas ali.
  • Coordenador: o território que coordena.
  • Administrador municipal: o município inteiro.
  • Auditor: só leitura, inclusive da trilha de auditoria.

As decisões e o porquê de cada uma

Uma base para três equipes.
O problema eram três equipes com três registros. Pôr o aplicativo de campo, os abrigos e a coordenação sobre o mesmo prontuário é o que faz a anotação da rua chegar à recepção antes da pessoa.
O agente vê os leitos livres antes de pedir.
Ligar de abrigo em abrigo de madrugada era a parte mais lenta do trabalho. O pedido lista só as unidades com leito livre naquele instante, e as próprias unidades mantêm o quadro em dia.
A recusa sempre vem com motivo.
Se a unidade recusa, o agente precisa saber por quê para escolher a próxima. O motivo volta pelo aplicativo, e nada do que foi registrado na rua se perde.
Dignidade no cadastro.
Nome social e apelido vêm antes do nome civil, os documentos são opcionais e a triagem só começa com a concordância da pessoa. Quando a equipe escreve um registro, o sistema lembra que não se deve anotar diagnóstico.
Ao escrever um registro, a equipe é lembrada de não anotar diagnóstico.
Cada município vê só os próprios cadastros.
A separação é feita na própria base de dados, e quem trabalha num município não consegue abrir o cadastro de outro por nenhum caminho. Municípios vizinhos podem formar uma rede intermunicipal e escolher o que compartilhar, como vagas e pedidos.
Mudança sensível exige motivo.
Para a LGPD, dados de saúde são sensíveis. Alterações como o nível de risco só são salvas com o motivo, e a trilha de auditoria mostra quem consultou ou alterou cada prontuário.
O relatório trava antes de a ação fechar.
A coordenação presta contas de cada ação. O relatório técnico trava com data e hora, e só depois a ação pode ser concluída.
Só a equipe de rua instala alguma coisa.
Abrigos e coordenação abrem suas ferramentas no navegador, e a unidade começa a usar o CAD-RUA no computador que já tem.

O que foi entregue

A partir de abril de 2026, o projeto entregou as três ferramentas funcionando sobre o mesmo prontuário. Elas foram demonstradas com dados fictícios, e o vídeo da demonstração percorre as nove etapas acima em 8 min 40 s.

  • 3 ferramentas sobre a mesma base
  • 9 etapas no caso de demonstração
  • Triagem em 4 passos
  • 5 perfis de acesso
Cena ilustrativa: praça da igreja à noite, molhada de chuva, com um homem dormindo num banco
Vídeo de demonstração com personagens fictícios, em português e com legendas na imagem. 8 min 40 s.

Apoio institucional e coautoria

Apoio institucional

  • FAPERJ

    Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro. Apoio institucional. O CAD-RUA foi aprovado e financiado em edital competitivo da FAPERJ (Edital 34/2025, Programa Prioridade Rio).

Coautores do projeto

  • Evolução Clínica e Consultoria

    Coautora do projeto.

  • IPPPS

    Instituto de Políticas Públicas e Projetos Sociais. Coautor do projeto.

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